Procura-se : Escola de idiomas
Há tempos tenho pensado nas palavras. Como a escolha delas guarda repertório, intenção, e até predizem alguns resultados, comportamentos.
Não é sobre tradução, não é sobre significado (não necessariamente). Mas algo como elas ditam uma cultura, uma forma de relacionar , de agir e existir no mundo.
Tanto que, quando aprendemos algo novo, conhecemos um novo grupo ou movimento, adquirimos novos vocabulários. A gente ouve potência diferente de poder; a gente sente atravessado por palavras e percebe que talvez "não é sobre isso". Ao mesmo tempo, a velocidade do mundo parece atropelar as palavras, esvaziá-las (ao invés de habitá-las). A gente vai mais pro raso - por conveniência ou por não saber mergulhar profundo. O fundo é largo, imenso e pode ser que no caminho, a gente perca o ar, a direção e deixe de ver referências que nos soavam familiares. O raso é mais quentinho, mais fácil...a água até o umbigo (ou a canela), pra não tirar o pé do chão. Seguro.
Procuro uma escola de idiomas pra pensar sobre as palavras, refletir sobre suas intenções : o que dizem e o que deixam de dizer. O que cuida, o que machuca. O que acende mundos, vira escada pra réplicas de outras palavras - tbm bem colocadas.
Não precisa ter módulo coloquial, sofisticado, nem excêntrico.
Não é sobre formato. É sobre conteúdo: o que cabe nas palavras, que espaços elas ocupam, pra onde elas nos levam, de onde elas nos tiram, o que elas ajudam a organizar.
Um pouco de etimologia, um pouco de poesia, um pouco de silêncio: pra dar sentido, pra alargar os sentidos, pra servir de passagem para novas percepções.
No corpo docente, dessa escola que procuro, pode ter filósofo, escritor, poeta, cantor...mas também caminhante, peregrino, boêmios. Também não pode faltar outros alunos, perdidos nas palavras, confusos nas sopas de letrinhas - gente para segurar a mão, vomitar as palavras adoecidas, desintoxicar.
Alguém matriculado em algo assim? Aceito dicas.