quarta-feira, 15 de julho de 2026

Procura-se : Escola de idiomas 





Há tempos tenho pensado nas palavras. Como a escolha delas guarda repertório, intenção, e até predizem alguns resultados, comportamentos. 

Não é sobre tradução, não é sobre significado (não necessariamente). Mas algo como elas ditam uma cultura, uma forma de relacionar , de agir e existir no mundo.

Tanto que, quando aprendemos algo novo, conhecemos um novo grupo ou movimento, adquirimos novos vocabulários. A gente ouve potência diferente de poder; a gente sente atravessado por palavras e percebe que talvez "não é sobre isso". Ao mesmo tempo, a velocidade do mundo parece atropelar as palavras, esvaziá-las (ao invés de habitá-las). A gente vai mais pro raso - por conveniência ou por não saber mergulhar profundo. O fundo é largo, imenso e pode ser que no caminho, a gente perca o ar, a direção  e deixe de ver referências que nos soavam familiares. O raso é mais quentinho, mais fácil...a água até o umbigo (ou a canela), pra não tirar o pé do chão. Seguro. 

Procuro uma escola de idiomas pra pensar sobre as palavras, refletir sobre suas intenções : o que dizem e o que deixam de dizer. O que cuida, o que machuca. O que acende mundos, vira escada pra réplicas de outras palavras - tbm  bem colocadas. 

Não precisa ter módulo coloquial, sofisticado, nem excêntrico. 

Não é sobre formato. É sobre conteúdo: o que cabe nas palavras, que espaços elas ocupam, pra onde elas nos levam, de onde elas nos tiram, o que elas ajudam a organizar. 

Um pouco de etimologia, um pouco de poesia, um pouco de silêncio: pra dar sentido, pra alargar os sentidos, pra servir de passagem para novas percepções. 

No corpo docente, dessa escola que procuro, pode ter filósofo, escritor, poeta, cantor...mas também caminhante, peregrino, boêmios. Também não pode faltar outros alunos, perdidos nas palavras, confusos nas sopas de letrinhas - gente para segurar a mão, vomitar as palavras adoecidas, desintoxicar. 

Alguém matriculado em algo assim? Aceito dicas.







segunda-feira, 16 de março de 2026

 Por que a água borbulha quando ferve? | CHC


"Como vivemos é como morremos"

Pema Chodron


Tenho refletido sobre finitude... o fim é tão obvio. Pq é que passamos a acreditar que as coisas duram. Nada é. Tudo, em um segundo, ˜foi˜. Comecei a ler o livro ˜Como vivemos é como morremos"e o olhar curioso sobre impermanência me lembrou algumas lições do Vipassana. 

Lembro-me de uma metáfora - de que os sentimentos (prazer, dor, apego, aversão, conforto, desconforto) eram como bolhas de uma caneca de água fervendo, aparecem e somem, outras: aparecem e somem,... surgem e findam e surgem e findam... 

Lembro de ter sentido a impermanência no corpo e acolher as percepções sutis sem reagir (ou pelo menos, exercitar) observar a impermanência. 

Infelizmente, a prática não foi algo que virou rotina, hábito mas, agora, chego novamente a esse pensar: a impermanência. Mas não mais na lente específica dos sentimentos. Todo fenômeno é impermanente...tudo é um surgir e findar constante. O que sou quando escrevo, já deixou de ser quando chegar o ponto final da frase. Que, apesar de ponto final, também marca o que vem a seguir, um outro começo. Será que essa percepção, de que tudo é começo, fim, começo e "dois pontos" ajuda a lidar com a finitude da vida? Quase um banalizar de pequenos fins pra desmitificar o "fim" finito? Pq esse é o que tememos? O "chefão dos fins" se lidamos com pequenos fins o tempo todo? Será que percebê-los também escancaram os pequenos surgimentos com mais maravilhamento do que normalidade? Pq estar atento aos fins, deve nos fazer mais sensíveis aos surgimentos... 

Mas calma, não se apegue... os surgimentos findam,....os fins, surgem.

Não se apegue. Nem ao prazer, nem a dor. 

Só reconheça , respire, até a próxima bolha na caneca fervendo... e como numa dança , a gente talvez fique mais amiga da mudança. 

Bom, mas esse é só o começo do mergulho no fim. Começo. Fim. 

E logo, volto para novos mergulhos no fim. Ou no começo?



 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Caça Palavras

Milton Nascimento – Caçador De Mim #

Caçar palavras:

Poderia ser aquele jogo, exercício para a mente. Mas aqui, é pra alma. 

Tenho caçado palavras pra dar nome ao que penso, ao que sinto...mas nesse exercício, meu repertório está enferrujado. Olho no rodapé da página e não tem "dica do banco". Olho para a página ao final .... e não tem um gabarito de respostas. 

Procuro, caço! Escrevo, apago

Tem São Longuinho literário? tem não...  
Caixa de achados e perdidos? Também não... 

Sigo, eu...como uma caçadora de palavras.

"Nada a temer, senão o correr da luta
Nada a fazer, senão esquecer o medo
Abrir o peito à força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim?
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim "

Sigo, eu...caçadora de mim.